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O conhecimento por si só, não basta!

06/12/2012

 

No dia 2012/12/12, a CEGOC completa 50 anos de existência e de atividade contínua, perfilando-se provavelmente como a mais antiga entidade prestadora de serviços nos domínios da formação (entre outros) no mercado português.
O facto de iniciarmos este artigo com esta breve nota, para além das inevitáveis conotações publicitárias que isso possa gerar, pretende, todavia, inscrever-se numa outra linha de pensamento e de análise, designadamente no alinhamento de uma visão diacrónica do que têm sido as evoluções no mercado da formação e, por extensão, na sociedade e na economia portuguesas, nos últimos 50 anos.

E se alguma ilação, de caráter necessariamente muito geral, é possível retirar dessa análise histórica, é, sem dúvida, a da incontornável evidência de que a formação se tem vindo a reforçar como uma poderosa ferramenta de gestão e, sobretudo, como um fator indispensável de alavancagem para a produtividade, para o crescimento, para o desenvolvimento e para o progresso das organizações, das empresas e dos indivíduos.

Longe vão já os tempos em que se afirmava que “a formação era só para os ricos” e em que, de facto, só um número muito restrito de (grandes) empresas elaborava planos de formação e inscrevia esses planos no alinhamento das suas estratégias de gestão e nos seus objetivos de desenvolvimento.

Hoje, em contraponto com esses tempos em que ainda imperava uma “mentalidade de escassez” no domínio dos investimentos em recursos intangíveis, vivemos a plena afirmação da importância do conhecimento como um verdadeiro “ativo organizacional” e da inequívoca valorização, pelo menos em tese, das políticas e estratégias de gestão do capital humano.
No entanto, também é verdade que outros desafios e outras dificuldades se colocam atualmente e que nos obrigam a repensar e a redesenhar, em permanência, as modalidades de ação que levamos à prática para otimizar os investimentos feitos na formação.

O que é facto é que, se bem que seja já matéria do senso comum dizer que a formação é útil e importante e que toda a gente devia fazer formação para atualizar as suas competências, também neste domínio se verifica que o senso comum não é, ainda… prática comum.

Por outro lado, muitos daqueles para quem a formação já é essa prática comum, têm dela tido uma apropriação mais quantitativa do que qualitativa, acumulando informação e, mesmo, conhecimento, sem que, todavia, eles se tenham convertido em verdadeiros ativos, geradores de maior produtividade e de maior progresso.
Ora, tal como Bruno Bettelheim salientava, num livro publicado em 1950, que, no tocante à educação das crianças “só amor não basta”, também no domínio da ação profissional é importante afirmar-se que não basta adquirir conhecimento pelo conhecimento, se queremos, de facto, que esse recurso, seja qual for a via ou o processo pelos quais se obtenha, seja utilizado como fonte de transformação proactiva e criativa da realidade.
É por isso que formar vai muito para além de transmitir conhecimentos; assim como transmitir conhecimentos fica muito aquém de promover aprendizagens.

Formar-se significa, sobretudo, integrar aprendizagens que suscitem novos modos de pensar e de agir; significa abrir-se a novos horizontes, a novas fontes de motivação, a novos desafios, a novos contactos enriquecedores.
A missão atual da Formação é, por isso, e na nossa perspetiva, encorajar as empresas, as organizações e os indivíduos a gerarem aprendizagens que ousem ir para além do conhecimento (“Beyond Knowledge”) e se convertam em instrumentos que promovam uma melhor adaptabilidade, agilidade, dinamismo e abertura a novas conceções da realidade que, por sua vez, permitam às pessoas e às empresas agir melhor num mundo em permanente mudança.
Alguns dirão, como há 50 anos atrás, que a formação não vale a pena, embora invocando razões diferentes; outros dirão que não há tempo para se formar; outros, ainda, aduzirão o argumento óbvio: não há verbas.
Para esses e, no fundo, para todos nós, deixamos, como nota final, uma frase de Belén Varela (“A Rebelião das Moscas”), cuja heurística nos pareceu pertinente para o assunto aqui em discussão: “a vontade inventa motivos e a apatia inventa pretextos”.

A questão é saber em qual destas duas atitudes nos situamos.

Mário Ceitil – Diretor Associado Cegoc
Ricardo Martins – Diretor Associado Cegoc
Sofia Ferreira – Diretora Financeira Cegoc

Este artigo foi publicado na edição Premium da Revista Human.