Setor Indústria Alimentar e Bebidas

  

O que se entende por Indústria Alimentar e Bebidas?

A Indústria Alimentar e Bebidas registou, em conjunto, um valor de 14 mil milhões de euros resultante de vendas de produtos e prestação de serviços, segundo o mais recente anuário do Instituto Nacional de Estatística (INE). Esta indústria posiciona-se, assim, no topo das atividades económicas em Portugal, sendo um dos setores de bens transacionáveis que mais contribuem para o Valor Acrescentado Bruto – nomeadamente nos quatro segmentos mais exportados: Bebidas, líquidos alcoólicos e vinagres (18%); Peixes e crustáceos e moluscos (14%); Gorduras e óleos animais ou vegetais (13%) e Frutas (11%), revelam dados da PortugalFoods.

Desde a adesão de Portugal à UE, o setor tem vindo a ajustar-se a todas as normas de fabrico e comercialização de produtos, atravessando hoje uma vaga de desenvolvimento e crescimento exponencial, fruto do investimento efetuado sobretudo em inovação, qualidade da produção e segurança alimentar, otimização dos processos de distribuição e aposta na promoção internacional desta indústria e das suas potencialidades.

Quais os principais desafios deste setor?

Os desafios da Indústria Alimentar e Bebidas estão diretamente relacionados com uma visão mais holística do mundo, que abarca não só mudanças nos hábitos alimentares, mas também questões ambientais, éticas e sociais. Muito mais conscientes, informados e digitais, os consumidores esperam que a indústria disponibilize produtos mais saudáveis, produzidos de forma mais sustentável, transparentes na informação nutricional que veiculam, e respeitadores dos direitos sociais dos profissionais que trabalham em toda a cadeia de produção.

Depois da crise pandémica ter exposto algumas das fragilidades da Indústria Alimentar e Bebidas ao nível da cadeia de valor e distribuição, o setor atravessa enormes desafios também em termos da modernização dos processos e dos sistemas de padronização e rastreabilidade da informação partilhada pelos vários intervenientes (do fornecedor de matérias-primas até ao produtor, passando pelo embalamento, a distribuição, armazenamento, comercialização, entre outros).

Quais as principais tendências da Indústria Alimentar e Bebidas?

A pandemia redefiniu os comportamentos e as escolhas dos consumidores. Estas alterações aceleraram exponencialmente algumas tendências relacionadas com a valorização da transparência (preços mais justos e alinhados por declarações éticas) e a otimização da experiência do cliente, marcada hoje por novos requisitos de higiene, segurança e certificação, carrinhos de compra ainda mais inteligentes ou novas parcerias com empresas de entregas ao domicílio.

Este setor está ainda fortemente empenhado em reduzir a sua pegada ambiental, nomeadamente a quantidade de água e energia que consome! Espera-se, por isso, o crescimento de carne alternativa “artificial” criada em laboratório ou impressa em 3D, a valorização da riqueza nutricional dos insetos e das algas marinhas, bem como a ascensão das bebidas vegetais (leites de soja, arroz ou aveia), bebidas probióticas, bebidas alcoólicas com menos açúcar e calorias, cerveja feita a partir de pedaços de cereais rejeitados ou até embalagens elaboradas com resíduos orgânicos de cogumelos ou folhas de ananás… De forma a que o desperdício alimentar dê lugar a uma inovação e a um consumo mais sustentáveis.