O que o Learning Technologies Paris 2026 revelou sobre o futuro da aprendizagem nas organizações

Sumário
- 1. A inteligência artificial deixou de ser uma aposta. Passou a ser infraestrutura.
- 2. Praticar vale mais do que consumir conteúdo
- 3. As plataformas tornaram-se o novo ponto de entrada
- 4. Os resultados passaram a ter de ser provados
- 5. A velocidade e a escala tornaram-se vantagens competitivas
- 6. A aprendizagem está a entrar onde o trabalho acontece
- O que fica desta edição
Há eventos que confirmam o que já se suspeitava. E há eventos que obrigam a rever algumas certezas. O Learning Technologies Paris 2026 foi, claramente, do segundo tipo.
A equipa do Grupo Cegos esteve presente em Paris, no maior evento europeu dedicado ao futuro da formação profissional e do desenvolvimento de pessoas. O que trouxe de lá não é uma lista de novidades tecnológicas, é uma leitura clara de como o mercado está a reconfigurar a sua lógica de fundo, e do que isso significa para as organizações que levam a sério o desenvolvimento das suas equipas.
1. A inteligência artificial deixou de ser uma aposta. Passou a ser infraestrutura.
A pergunta que dominou as conversas em Paris não foi "vão as organizações adotar IA na aprendizagem?" Essa pergunta já não faz sentido.
A IA está integrada em praticamente toda a oferta do mercado, na pesquisa de conteúdos, nas recomendações de percursos, na criação de materiais, na interação com os formandos.
A questão passou a ser outra, mais exigente e mais relevante: como é que a IA está a ser integrada, com que profundidade e com que impacto real na aprendizagem?
Isto tem uma implicação direta para os responsáveis de L&D. A presença de IA numa solução de formação deixou de ser um argumento diferenciador, porque o que diferencia é a qualidade da sua integração ao longo de todo o percurso de aprendizagem e a capacidade de essa integração produzir evidência de progressão, não apenas de participação.
2. Praticar vale mais do que consumir conteúdo
Uma das tendências mais consistentes observadas foi a desvalorização progressiva do catálogo de conteúdos como proposta de valor central. O mercado está a mover-se de forma clara em direção à prática, à simulação e à aplicação real como núcleo da experiência de aprendizagem.
As simulações com IA, os roleplays e os serious games deixaram de ser formatos inovadores para se tornarem prática corrente. Mas o que ficou também claro é que a mera existência destes formatos não chega. O verdadeiro diferenciador é o que acontece depois da prática, ou seja, a qualidade do debrief, a estrutura do feedback e a capacidade de ligar o que foi praticado ao desempenho real no trabalho.
Para as organizações, esta mudança coloca uma questão concreta na mesa. Os programas de desenvolvimento que têm em curso medem o que as pessoas conseguem fazer depois da formação, ou apenas registam que a formação foi concluída?
3. As plataformas tornaram-se o novo ponto de entrada
Outro sinal forte do evento foi a consolidação de uma lógica que já vinha a ganhar força: os clientes escolhem primeiro a plataforma onde querem aprender e só depois o conteúdo. As plataformas e agregadores de conteúdo estão a tornar-se os verdadeiros decisores da visibilidade da oferta formativa, com uma influência crescente sobre o que chega aos formandos e o que fica invisível.
Isto tem implicações estratégicas para qualquer organização que gere uma oferta de formação interna. A qualidade do conteúdo continua a ser necessária, mas já não é suficiente. A forma como esse conteúdo é posicionado, apresentado e integrado nos sistemas que as pessoas já utilizam no dia a dia passa a ser igualmente determinante.

4. Os resultados passaram a ter de ser provados
A exigência de evidência está a mudar a conversa entre fornecedores de formação e compradores.
"Formação concluída" é uma métrica que perdeu relevância. O que os decisores querem ver é progressão demonstrada, dados de desempenho e uma ligação clara entre o investimento em desenvolvimento e o impacto nas competências das equipas.
Esta tendência, que em Paris foi designada como "skills evidence", está a tornar-se parte da lógica de decisão de compra. Organizações que não consigam mostrar prova de progressão vão ter dificuldade crescente em justificar os seus investimentos em formação, tanto internamente como junto de parceiros externos.
5. A velocidade e a escala tornaram-se vantagens competitivas
O mercado global de formação está a ser profundamente transformado pela capacidade de produzir e localizar conteúdos de forma rápida e eficiente. As organizações internacionais esperam cada vez mais que a formação chegue simultaneamente a vários mercados, em múltiplas línguas, sem que isso implique um aumento proporcional de custos e de tempo.
A IA está a acelerar de forma significativa processos como tradução, legendagem, dobragem e edição, reduzindo o tempo de produção e permitindo uma escala que até há pouco era inviável. Para as organizações portuguesas que operam em contextos internacionais, ou que simplesmente precisam de responder com mais agilidade às necessidades de desenvolvimento das suas equipas, esta capacidade de industrialização da qualidade é um fator que começa a pesar nas decisões.
6. A aprendizagem está a entrar onde o trabalho acontece
O último sinal, e talvez o mais estrutural de todos, é a dissolução progressiva da fronteira entre aprender e trabalhar.
Os novos assistentes de IA não são plataformas de formação separadas do trabalho diário. São copilotos integrados nos fluxos de trabalho reais, com interação por voz, desenhados para tarefas específicas e disponíveis no momento em que a necessidade surge.
Esta mudança tem implicações profundas para a forma como as organizações concebem as suas estratégias de desenvolvimento. A aprendizagem deixa de ser um momento separado, agendado e fora do contexto de trabalho, para se tornar parte contínua do desempenho.
Para os responsáveis de L&D, isto exige repensar não apenas os formatos, mas a própria arquitetura de como o desenvolvimento acontece dentro da organização.
O que fica desta edição
O Learning Technologies Paris 2026 não deixou dúvidas sobre a direção do mercado. A aprendizagem organizacional está a tornar-se mais integrada, mais baseada em prática, mais orientada para evidência e mais embebida no trabalho real. As organizações que anteciparem estas mudanças vão ter uma vantagem clara no desenvolvimento das suas equipas. As que esperarem pela confirmação vão encontrar o mercado já reconfigurado à sua volta.
A Cegoc, como parte do Grupo Cegos, tem acesso direto a esta vanguarda global e trabalha para traduzir estes sinais em soluções concretas para as organizações portuguesas.
Se este é um tema que quer explorar com mais profundidade, fale connosco.








