Work Life – uma questão de equilíbrio, propósito ou felicidade?

Maria João CeitilHead of Talent&Innovation | General Manager FranklinCovey PT

Já se perguntou o que representa o trabalho para si? Que importância tem o ato de trabalhar, que papel desempenha nas nossas vidas? Numa visão mais superficial podemos encarar o trabalho como uma forma de subsistência, um veículo para a estabilidade e até para a sobrevivência.  

 

 

É um facto que precisamos de trabalhar… mas precisaremos apenas de trabalhar para sobreviver, ou precisamos também de trabalhar para viver?  É no trabalho que passamos uma grande parte do nosso tempo, é no trabalho que conhecemos muitas pessoas, é no trabalho que vivemos uma panóplia de experiências que nos moldam, nos toldam, por vezes nos condicionam, noutras vezes nos fazem evoluir e crescer. É também lá (e na nossa vida pessoal) que sentimos angústias, que enfrentamos desafios, que celebramos conquistas, que reforçamos os nossos talentos e lutamos contra os nossos defeitos. E é por isto que o trabalho não é só trabalho… é uma parte integrante da nossa identidade. E é por isto que é tão importante falarmos nas questões do equilíbrio vida pessoal, vida profissional.  

Muitas vezes ouvimos falar no worklife balance numa ótica de equilíbrio, uma melhor e mais proporcional distribuição do tempo, do foco e da concentração das pessoas entre os aspetos da sua vida profissional e a sua vida pessoal. É aqui que os modelos de trabalho flexível, trabalho remoto ou trabalho híbrido têm um enorme papel, de proporcionar maior flexibilidade às pessoas para que possam organizar o seu tempo de modo a conciliar as suas necessidades na vida pessoal com as necessidades na vida profissional. 

Outras correntes abordam este tema numa ótica do propósito, numa perspetiva de que o verdadeiro equilíbrio vida pessoal vida profissional se alcança quando atingimos um nível elevado de alinhamento entre o nosso propósito pessoal de vida e o propósito do nosso trabalho. É a abordagem da concretização plena, de vivermos com um sentido constante de “missão cumprida”, de satisfação por sentirmos que na nossa vida pomos em prática os valores que defendemos, que acreditamos, seja em contexto pessoal ou profissional.  

 

Não deveríamos falar em Work Life Hapiness ?

Mas se estamos numa altura de humanização, se queremos efetivamente transformar as empresas, as lideranças e o trabalho numa experiência humana enriquecedora não deveríamos falar em Work Life Hapiness (felicidade pessoal e profissional)?  Se aqui estivéssemos (ou estamos, ou estamos a caminhar para lá) o que nos importa não é debater se devemos ou não ter modelos de trabalho presencial, ou remoto, ou hibrido… não importa debater se os nossos processos promovem o sentido de propósito e se partilhamos os nossos valores com os colaboradores das nossas empresas.  

Se aqui estivéssemos, ou se aqui quisermos estar, o que importa debater é de que forma estamos a criar condições nas nossas empresas para as pessoas sentirem apoio quando dele precisam, de um ombro para chorar quando as coisas correm mal, de pessoas para festejar quando correm bem. Porque na vida, seja ela qual for, a felicidade encontra-se na forma como sentimos e nos permitimos sentir connosco e com os outros.   

 

*Este artigo foi publicado originalmente na revista Líder.

Escrito por

Maria João Ceitil

A ocupar atualmente o cargo de HR Consulting Coordinator na CEGOC, é ainda detentora de uma vasta experiência como Consultora e Formadora nos domínios de Gestão de Recursos Humanos, Gestão da Performance Organizacional e Executive Coach.Ao nível da formação superior, possui um Mestrado Integrado em Psicologia Clínica pelo Instituto Superior de Psicologia Aplicada (ISPA), um Mestrado em Gestão do Potencial Humano pelo Instituto Superior de Gestão (ISEG) e uma Pós-Graduação em Gestão dos Recursos Humanos, na Perspectiva da Gestão com as Pessoas, pela Universidade Lusófona. Possui também diversas certificações e formações, nomeadamente a Certificação em Executive Coaching pela Escola Europeia de Coaching de Lisboa, a certificação em Dynamic Coaching pela Go4 Consulting e a Formação Pedagógica Inicial de Formadores pela CEGOC.
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