Como promover o bem-estar no trabalho?

Consultores Cegoc

A Ipsos inquiriu mais de 23 500 adultos em 34 países sobre o estado da sua saúde mental. Os resultados foram surpreendentes: 60% dos participantes em todos os 34 países relataram sentir-se stressadosao ponto de isso ter impacto na sua vida. E cerca de 56% chegaram mesmo a não conseguir lidar com essa situação, pelo menos uma vez, no ano anterior.

De acordo com o Relatório sobre a Situação Global da Atividade Física, elaborado pela Organização Mundial da Saúde, o impacto desta crise de saúde mental tem sido sentido em muitas empresas, a par de um declínio da saúde física que está a afetar negativamente a produtividade e o absentismo. O problema é particularmente grave entre os líderes empresariais, que enfrentam níveis de stress antes vividos apenas por uma minoria.

Atualmente, a palavra de ordem é "bem-estar", e a sua ligação ao “Full Engagement” levou as empresas a repensar as suas estratégias de produtividade. "Desde a pandemia de COVID-19, temos estado mais concentrados na questão do bem-estar", afirma Christelle Delavaud, personal development product manager no Grupo Cegos. "Os novos hábitos de trabalho e as atividades remotas aceleraram desde 2020 e entrámos numa era digital em que passamos horas atrás dos ecrãs dos nossos computadores."

Duas outras questões influenciaram o aumento das doenças mentais e físicas - as linhas ténues entre a vida profissional e a vida privada e as rotinas de trabalho “tipo maratona”, em que os colaboradores mal têm tempo para respirar. Para os líderes que lidam com crise atrás de crise - as incertezas causadas por conflitos globais, o aumento do custo de vida e a inflação, para citar alguns exemplos - a pressão é implacável e muitas vezes esmagadora.

O impulso para uma saúde melhor

O bem-estar é agora o foco da Responsabilidade Social Empresarial (RSE) para muitas empresas, que consideram a saúde física e mental dos seus colaboradores uma causa em que vale a pena investir, porque influencia diretamente a estabilidade e o desempenho a longo prazo.

O modelo de Full Engagement foi criado pelo psicólogo de performance Jim Loehr e pelo jornalista Tony Schwartz. Promove a consciencialização individual da forma como gerimos a nossa energia e até que ponto estamos "totalmente empenhados" no nosso próprio bem-estar.

"Temos de analisar o nível de stress que sentimos quando estamos envolvidos numa determinada atividade", explica Christelle. "É um stress positivo que me ajuda a ter um bom desempenho ou é um stress negativo que é mau para o meu bem-estar? Estou consciente quando entro numa situação de stress negativo ou num episódio de stress prolongado? O que é que posso fazer para sair dessa situação? A consciência, o pensamento claro e a ação são os nossos melhores aliados".

A teoria diz que a nossa energia oscila ao longo do dia. Gastamos energia em várias atividades, como o trabalho e as viagens, e acumulamos energia através do descanso e do exercício físico.

O full engagement requer um investimento equilibrado de energia em quatro dimensões (física, emocional, mental e espiritual) e implica o desenvolvimento de um conjunto de rituais que se tornam automáticos com o tempo. Ao atingirmos o equilíbrio correto de energia, podemos empenhar-nos plenamente no nosso trabalho, bem como na nossa vida pessoal.

Inteligência emocional
Gerir emoções disruptivas em situações de crise

Então, que tipo de práticas podemos adotar para ajudar a equilibrar a nossa energia nas quatro dimensões?

  1. Física: Muitos de nós levamos um estilo de vida sedentário, especialmente aqueles que têm empregos à secretária, mas o exercício físico é crucial para nos mantermos saudáveis. A nossa saúde física também tem um impacto direto na nossa saúde mental, pelo que é importante que os colaboradores deem prioridade à sua saúde física. A atividade física três vezes por semana, as pausas regulares no trabalho e a utilização das escadas em vez do elevador podem ajudar os formandos a ganhar energia ao longo do dia. Incentive também os formandos a manterem-se hidratados.
  • Emocional: É importante manter as nossas emoções sob controlo, para podermos lidar com os pontos de pressão de uma forma calma e racional. Para ajudar os formandos a atingir este objetivo, incentive-os a desligar os telemóveis, os computadores e outras distrações durante longos períodos de tempo da inatividade, para assim darem 100% de atenção às pessoas com quem estão a interagir. Estes hábitos criam uma energia forte e positiva na vida profissional e doméstica dos formandos e mantêm as emoções negativas afastadas.
  • Mental: O nosso estado mental determina o nosso desempenho no trabalho, pelo que é importante encorajar os formandos a manterem a sua saúde mental, evitando sempre que possível situações stressantes. Definir prioridades para a semana, reservar diariamente 20 minutos para ler e anotar as tarefas mais importantes para o dia seguinte pode ajudar os formandos a prepararem-se mentalmente para uma experiência de vida mais positiva.
  • Espiritual: A reflexão regular e uma atitude calma também fazem enorme diferença no nosso desempenho. Por exemplo, encoraje os formandos a meditarem durante 10 minutos, a olharem para uma imagem que reflita uma visão positiva do futuro e, antes de se deitarem, a refletirem sobre o que fizeram nesse dia, por um lado, para os aproximar do seu objetivo e, por outro, que os possa ter afastado dessa meta. O resultado será uma atitude mais equilibrada perante a vida, que terá um impacto positivo no seu desempenho.
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Responsabilidade coletiva

A RSE pode desempenhar um papel importante no incentivo para os colaboradores levarem um estilo de vida saudável. Pagar a inscrição em ginásios, oferecer aulas de ioga ou mesmo disponibilizar serviços de massagem contribuem para melhorar o bem-estar dos colaboradores. Apesar de alguns líderes poderem considerar estas iniciativas um trivial desperdício de dinheiro, estes programas podem e proporcionam efetivamente benefícios tangíveis.

As massagens e o ioga, por exemplo, ajudam as pessoas que passam o dia sentadas à secretária a reduzir os episódios de dores de costas. No entanto, a RSE não pode fazer muito. "Em última análise, os próprios colaboradores devem tomar em mãos a responsabilidade pelo seu bem-estar mental e físico, e não depender apenas dos benefícios da empresa", diz Christelle.

Para começar, os colaboradores podem comprometer-se a utilizar o modelo de Full Engagement para criar uma melhor sensação de bem-estar que irá melhorar o seu desempenho.

Para os profissionais de formação que pretendam lançar iniciativas de bem-estar dos colaboradores existem várias estratégias a adotar:

  • Promoção a partir do topo

A direção pode sensibilizar os colaboradores, celebrando os resultados do seu trabalho árduo numa apresentação e lembrando-lhes ao mesmo tempo que devem equilibrar os seus níveis de energia e fazer uma pausa. Isto dá mais peso à mensagem e demonstra empatia.

  • Promover a atenção plena

Fornecer recursos e oportunidades de bem-estar, como uma caminhada em equipa ou uma aula de ioga, pode ajudar os colaboradores a dar um passo atrás e a considerar a forma como cuidam de si próprios. Os managers também podem incentivar a meditação. Está cientificamente provado que cinco minutos de meditação são um benefício real para a sua saúde mental e física.

  • Liderar pela ação

Os líderes de toda a empresa devem dar o exemplo e mostrar aos colaboradores como estabelecer comportamentos e hábitos produtivos na sua vida quotidiana. Isto terá um impacto positivo na motivação, especialmente se as pessoas se sentirem inspiradas pelo que veem nos seus superiores.

  • Tempo para descansar

Crie espaços de descontração que permitam fazer pausas na rotina diária. As pausas regulares mantêm a mente fresca e concentrada e melhoram significativamente a produtividade.

Muitas das pressões a que estamos sujeitos atualmente manter-se-ão. As mudanças rápidas e a incerteza fazem agora parte da vida, pelo que devemos ter um cuidado acrescido connosco e com os nossos colegas para lidar com estas questões.

Escrito por

Consultores Cegoc

A CEGOC está em Portugal desde dezembro de 1962. Com os clientes, cria soluções que levam o conhecimento para o trabalho, usando meios digitais e métodos variados para melhorar a performance individual e dos negócios. Assim, transforma equipas e organizações conforme necessário. A CEGOC é parte do Grupo Internacional CEGOS, líder global em Formação e Desenvolvimento nas organizações, presente em todos os continentes, com 93 anos de experiência.
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